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Prova 2: Rápida exposição de idéias.

Por Luiz Paulo Comério. 

Se multidão é um conjunto de singularidades cooperantes, e singularidade é a relação de dependência do ser ao outro, pode-se depreender disso o porquê da internet ser uma mídia de multidão.

 O crescimento da internet se deu quando indivíduos em sua singularidade cooperaram entre si, formando assim uma multidão. Essa multidão era formada por membros comuns que não pertenciam à uma instituição burocrática e que tinham interesse em dividir entre todos o que a internet oferecia. Hoje, essa multidão cresceu e engloba grande parte do mundo; forma uma rede que é mantida por todos aqueles que a usam. Nela há uma troca, uma relação entre aqueles que a usam, tecendo uma rede midiática e de controle. Controle esse que está nas mãos dos usuários, já que qualquer exposição feita na internet pode ser vigiada – todos que tem acesso à internet, tem acesso às informações nela contida. 

Também vale ressaltar a dependência que a internet causa naqueles que a usam, criando também um controle sobre a vida dos usuários: qual site ou comunidade ele entra.

Porquês, Internet, multidão e controle, a prova!

Catarina Carneiro 

Tenho duas afirmações diante de mim:

  •  A Internet é uma mídia de multidão;
  • A Internet é uma mídia de controle da vida.

Minha função agora é justificá-las.

Para o entendimento da justificativa ficar acessível ao máximo de pessoas, considero pertinente conceituar o que poderia ser confundido por ser comumente usado em outro sentido: multidão é o conjunto das singularidades cooperantes que se apresentam como uma rede que define as singularidades em suas relações umas com as outras de acordo com o papa do assunto, Antonio Negri. Ou seja, para entendimento do assunto proposto, multidão não será aqui simplesmente um amontoado de gente. O conceito pode ser ainda destrinchado para melhor entendimento. Negri defende que a singularidade mencionada acima é o homem que vive e que se define na relação com o outro. Sem o outro, ele não existe em si mesmo. É uma relação de interdependência humana, que se difere fundamentalmente do individualismo, que faz com que o homem se feche nele mesmo. Fazendo analogias: a singularidade é a globalização, que estabelece laços de dependência, de necessidade do outro para a própria existência. O nacionalismo na sua forma mais radical, a nazista, por exemplo, despresa o outro, o que importa é o que ele próprio produz.

 singularidade             180px-nazi_swastikasvg1.png

singularidade                          individualismo

E a Internet é o espaço, ou melhor, o ciberespaço – a Internet é símbolo e principal florão do ciberespaço, Pierre Lévy no seu livro Cibercultura – onde ocorrem essas relações entre os singulares. Desde sua gênese é assim, ela foi criada sob um conceito também primordial de multidão. Lévy mesmo afirma que o inventor da Internet foi um movimento social com o intuito de devolver aos indivíduos uma  potência técnica que havia sido monopolizada por grandes instituições burocráticas. O que foi feito foi tornar comum algo que nasceu assim, mas que se tornou particular. Pensando assim, voltamos ao conceito de multidão por um outro raciocício de Negri: “O comum é sempre construído por um reconhecimento do outro – multidão -, por uma relação com o outro – singularidade - que se desenvolve nessa realidade”. A Internet é o meio, o ciberespaço, criado pelo singular para manter suas relações por meio de compras em sites, conversas em salas/ programas de bate-papo, trocas informações nas enciclopédias cibernéticas, constituindo assim o comum e tornando-se multidão.

Ficou evidente aqui que não há um uma instituição de comando, um soberano, um centro que controle a Internet, ficou? Isso porque ele não existe. A Internet obedece o sistema muitos para muitos. Não está saindo de um ponto para seus usuários. As trocas acontecem de usuários para usuários. Neles está o controle. Sim, o controle existe. E ele não abandona a lógica de de interdependência encontrada na multidão. Ele se alimenta disso. Dependemos da produção alheia na Internet, e ela pode nos controlar, impondo-nos idéias, fechando-nos em suportes. O controle não é aquele do tempo e do espaço de produção de uma indústria. Ele é constante e nos submetemos a ele porque temos necessidade de informação.  O controle da nossas vidas pelas nossas cognições: preciso saber o que é notícia, ver a foto foi postada no fotolog de fulano, ler os recados do Orkut de cicrano.  Isso é o biopoder agindo com sua sutilesa sobre nós. Gostaria até de usar um neologismo de minha autoria, que na verdade é uma conclusão do controle que ocorre no ambiente da Internet: o intercontrole social, ou o controle que ocorre entre os membros da sociedade.

Referências Postográficas:

Pierry Levy

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