É a cidade, não que eu não seja ou não esteja, mas se for para definir algum estado de espírito será estressada e cansada! Todos os motivos… Final de período e um ano sem férias do trabalho… Fora que estou chegando de Cachoeiro agora… Tá bom para você? Ah, e tem mais, eu fui para o Festival de Alegre… Por isso o cansaço, e o post, que chegará até o Festival. Por que a demora em postar??? Não acredito que você teve a capacidade de pensar nisso… Hunf! Mas eu me justifico, afinal devo satisfações… Primeiro: na semana que eu voltei, tinha várias coisas para Ufes, ainda bem que tinhamos a série Muqui engatilhada… Como se não bastasse, minha garganta inflamou horrores na quarta-feira, com febre, mal-estar e dores no corpo… Pensei em fazer um post desabafo a la LP, mas ele tinha acabado de fazer um e o Malini falou que isso passava uma imgem de intimidade entre os editores/ blogueiros e os leitores, mas que já estava bom, né?! Então me contive e fui dormir… E guardei o post na minha cabeça exausta para quando tivesse tempo. Não que eu tenha, agora, por exemplo estou na casa da minha prima que está voltando para Londres amanhã e eu ainda não pude curti-la direito… Mas Londres ainda não, vamos ao Festival de Alegre. Continue lendo ‘Alegre!’
Para o entendimento da justificativa ficar acessível ao máximo de pessoas, considero pertinente conceituar o que poderia ser confundido por ser comumente usado em outro sentido: multidão é o conjunto das singularidades cooperantes que se apresentam como uma rede que define as singularidades em suas relações umas com as outras de acordo com o papa do assunto, Antonio Negri. Ou seja, para entendimento do assunto proposto, multidão não será aqui simplesmente um amontoado de gente. O conceito pode ser ainda destrinchado para melhor entendimento. Negri defende que a singularidade mencionada acima é o homem que vive e que se define na relação com o outro. Sem o outro, ele não existe em si mesmo. É uma relação de interdependência humana, que se difere fundamentalmente do individualismo, que faz com que o homem se feche nele mesmo. Fazendo analogias: a singularidade é a globalização, que estabelece laços de dependência, de necessidade do outro para a própria existência. O nacionalismo na sua forma mais radical, a nazista, por exemplo, despresa o outro, o que importa é o que ele próprio produz.
E a Internet é o espaço, ou melhor, o ciberespaço – a Internet é símbolo e principal florão do ciberespaço, Pierre Lévy no seu livro Cibercultura – onde ocorrem essas relações entre os singulares. Desde sua gênese é assim, ela foi criada sob um conceito também primordial de multidão. Lévy mesmo afirma que o inventor da Internet foi um movimento social com o intuito de devolver aos indivíduos uma potência técnica que havia sido monopolizada por grandes instituições burocráticas. O que foi feito foi tornar comum algo que nasceu assim, mas que se tornou particular. Pensando assim, voltamos ao conceito de multidão por um outro raciocício de Negri: “O comum é sempre construído por um reconhecimento do outro – multidão -, por uma relação com o outro – singularidade - que se desenvolve nessa realidade”. A Internet é o meio, o ciberespaço, criado pelo singular para manter suas relações por meio de compras em sites, conversas em salas/ programas de bate-papo, trocas informações nas enciclopédias cibernéticas, constituindo assim o comum e tornando-se multidão.
Ficou evidente aqui que não há um uma instituição de comando, um soberano, um centro que controle a Internet, ficou? Isso porque ele não existe. A Internet obedece o sistema muitos para muitos. Não está saindo de um ponto para seus usuários. As trocas acontecem de usuários para usuários. Neles está o controle. Sim, o controle existe. E ele não abandona a lógica de de interdependência encontrada na multidão. Ele se alimenta disso. Dependemos da produção alheia na Internet, e ela pode nos controlar, impondo-nos idéias, fechando-nos em suportes. O controle não é aquele do tempo e do espaço de produção de uma indústria. Ele é constante e nos submetemos a ele porque temos necessidade de informação. O controle da nossas vidas pelas nossas cognições: preciso saber o que é notícia, ver a foto foi postada no fotolog de fulano, ler os recados do Orkut de cicrano. Isso é o biopoder agindo com sua sutilesa sobre nós. Gostaria até de usar um neologismo de minha autoria, que na verdade é uma conclusão do controle que ocorre no ambiente da Internet: o intercontrole social, ou o controle que ocorre entre os membros da sociedade.
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